16.11.10

Mar e Lua


Amaram o amor urgente
As bocas salgadas pela maresia
As costas lanhadas pela tempestade
Naquela cidade
Distante do mar
Amaram o amor serenado
Das noturnas praias
Levantavam as saias
E se enluaravam de felicidade
Naquela cidade
Que não tem luar
Amavam o amor proibido
Pois hoje é sabido
Todo mundo conta
Que uma andava tonta
Grávida de lua
E outra andava nua
Ávida de mar
E foram ficando marcadas
Ouvindo risadas, sentindo arrepios
Olhando pro rio tão cheio de lua
E que continua
Correndo pro mar
E foram correnteza abaixo
Rolando no leito
Engolindo água
Boiando com as algas
Arrastando folhas
Carregando flores
E a se desmanchar
E foram virando peixes
Virando conchas
Virando seixos
Virando areia
Prateada areia
Com lua cheia
E à beira-mar

( Chico Buarque )

Um comentário:

Rita Maria disse...

Ôi Morena, como você está? O que tem feito?

Gosto muito desta letra do Chico Buarque... Sensacional!

Seu Blog é muito bonito e de bom gosto, venho aqui de vez em quando dar uma espiadinha!

Já quase deletei o meu Flog, mas acabo ficando mais um pouquinho, porém, ando com pouco entisiasmo e motivo para ficar.

Parece que o povo ficou enjoado de comentar, sei lá...

Em todo caso estou por aqui mesmo não postando.

Beijos e boa sorte para você.

Rita.