25.4.10

A chuva

 A tarde bruscamente se aclarou,
porque já cai a chuva minuciosa.
Cai e caiu. A chuva é só uma coisa
que o passado por certo freqüentou.

Quem a escuta cair já recobrou
o tempo em que a fortuna venturosa
uma flor lhe mostrou chamada rosa
e a cor bizarra do que cor tomou.

Esta chuva que treme sobre os vidros
alegrará nuns arrabaldes idos
as negras uvas de uma parra em horto

que não existe mais. A umedecida
tarde me traz a voz, a voz querida
de meu pai que retorna e não é morto.
Jorge Luis Borges
Tradução: Renato Suttana

Um comentário:

Ovelhinha... disse...

Bom dia Fátima,
Tudo bom contigo amiga?
Nossa gostei muito desse poema...Versos profundos e aconchegantes!

Beijos

PS:Blog atualizado!