28.3.10

Leito de Ausência

 Jorge Garcia
Neste leito de ausência em que me esqueço,
desperta um longo rio solitário:
se ele cresce de mim, se dele cresço,
mal sabe o coração desnecessário.

O rio corre e vai sem ter começo
nem foz e o curso, que é constante, é vário.
Vai nas águas levando, involuntário,
luas onde me acordo e me adormeço.

Sobre o leito de sal, sou luz e gesso:
duplo espelho – o precário no precário.
Flore um lado de mim? No outro, ao contrário,
de silêncio e silêncio me apodreço.

Entre o que é rosa e lodo necessário,
passa um rio sem foz e sem começo.

Ferreira Gullar

Um comentário:

Silvana Nunes .'. disse...

Passando rapidamente para dar uma conferida nas novidades.
Gostei do seu trabalho, muito bom.
Desculpe a minha ausência, mas ando com uns probleminhas de percurso, sem óculos, sem internet e sem computador. Estou com tudo e não estou prosa, essa é a verdade. Dependo de lanhouse e não gosto nada disso.
FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... deseja um bom domingo para você.
Saudações Educacionais !